A IA recriou a Adobe? O que funciona nos sete clones

A inteligência artificial ajudou a construir sete alternativas gratuitas a programas da Adobe. Elas já fazem edição de verdade e algumas surpreenderam quem as testou. A capacidade de substituir os originais, porém, varia muito conforme a tarefa, o computador e o tipo de arquivo.

A coleção se chama Crafting Apps, da ArtCraft. Foi divulgada pelo desenvolvedor Brandon Thomas e construída com forte participação de agentes de programação; os documentos dos projetos identificam o Claude Opus 5.5. Os programas originais da Adobe continuam sendo produtos separados. A novidade são novas implementações de funções e interfaces semelhantes, com código aberto.

“Vibe coding” é a criação de software orientada por instruções em linguagem natural, com a IA escrevendo grande parte do código. Isso ainda envolve definir objetivos, testar resultados e corrigir erros. Neste caso, os registros de desenvolvimento mostram trabalho humano, agentes e contribuições da comunidade; não permitem calcular que porcentagem de cada linha foi escrita pela IA.

Retrato consultado em 8 de outubro de 2026. Os programas mudam rapidamente; avaliações feitas em versões anteriores são identificadas como tal.

Quais programas foram recriados e quanto já existe

Todos os sete abaixo foram construídos com auxílio de IA. Os percentuais vêm dos próprios projetos. “Recurso presente” significa que uma função consta no catálogo e foi implementada em algum grau. A avaliação de uso prático tenta considerar qualidade, fidelidade e estabilidade. As metodologias e os denominadores variam, e esses números não são notas independentes, percentuais de usuários satisfeitos ou probabilidades de substituição.

Programa Adobe → alternativaPara que serveRecursos segundo o projetoProfundidade ou uso prático, segundo o projeto
Photoshop → PhotoCraftEditar imagens, retocar fotos e montar composições com camadas.60–70% dos recursos tocados por um usuário típico existem em alguma forma; outro cálculo ponderado chega a ~82%.25–35% de proximidade de permitir a troca no trabalho profissional diário.
Illustrator → VectorCraftDesenhar logotipos, ilustrações e gráficos vetoriais.69–75% na avaliação mais cautelosa de funções e profundidade.40–55% ao incluir fidelidade das interações e robustez para um usuário avançado.
Premiere Pro → FilmCraftCortar e montar vídeos, tratar cor e áudio, criar títulos e exportar.~87% no checklist de recursos.50–60% de proximidade de substituir o Premiere em projetos reais.
Lightroom → LightCraftOrganizar fotografias e revelar arquivos RAW, preservando os originais.~80% no catálogo; os recursos centrais têm cobertura declarada de ~98%.60–70% na estimativa geral de substituição. O resultado depende especialmente da câmera e do fluxo de trabalho.
Acrobat Pro → PdfCraftLer, anotar, organizar, combinar, proteger e trabalhar com PDFs.51% completos: 411 de 806 recursos locais; 55,3% contando os parciais como meia função.A fidelidade ao Acrobat não foi medida sistematicamente. Os 30–35% divulgados medem avanço ponderado pelo esforço, não qualidade de uso.
After Effects → EffectCraftCriar animações, títulos em movimento, composições e efeitos visuais.~99% no catálogo próprio, com 89 de 92 itens completos e três parciais.30–50% para uso real, uma estimativa ainda não medida em comparação com o original.
InDesign → DesignCraftDiagramar revistas, livros, relatórios e outras publicações.~99% ponderados em um catálogo de 275 recursos.~83% ao considerar profundidade, também uma estimativa interna; há relatos de falhas em operações fundamentais.

Fontes dos percentuais: Photocraft · Vectorcraft · Filmcraft · Lightcraft · Pdfcraft · Effectcraft · Designcraft. As avaliações internas foram publicadas ou atualizadas entre 4 e 8 de outubro; algumas estimativas históricas foram mantidas mesmo após novas correções.

O cuidado principal está nos números próximos de 100%. Um catálogo pode marcar um efeito como implementado mesmo que seu resultado ainda difira do original. Uma interface pode exibir todas as opções enquanto algumas não produzem o comportamento esperado. Por isso, contar botões ou funções costuma dar uma impressão de completude maior do que a experiência de trabalhar durante horas com arquivos reais.

O que cada alternativa já oferece e o que impede a troca

PhotoCraft: camadas, máscaras, curvas, filtros, pincéis, texto, objetos inteligentes e abertura e gravação de PSD/PSB. Já permite composições e retoques reais. Permanecem lacunas nas ferramentas, na fidelidade de efeitos e no trabalho profissional; os recursos generativos equivalentes aos do Photoshop não estão implementados. Os bons resultados em conjuntos de teste de PSD não garantem que qualquer arquivo fique idêntico. Documentação.

VectorCraft: desenho com curvas, operações entre formas, gradientes, texto e intercâmbio por SVG/PDF. O suporte a arquivos .ai se concentra na parte compatível com PDF; os dados privados nativos do Illustrator ficam fora desse suporte. Efeitos rasterizados, 3D, tipografia avançada e detalhes de interação ainda limitam a equivalência. Documentação.

FilmCraft: linha do tempo, cortes, transições, efeitos, ajustes de cor, áudio e exportação. A cobertura extensa do catálogo convive com diferenças de desempenho e compatibilidade. A ausência de hospedagem de plugins profissionais e de recursos de colaboração pesa para editores que dependem desse ecossistema. Documentação.

LightCraft: biblioteca, ajustes de exposição e cor, máscaras, presets e tratamento RAW. A reprodução de cor e a cobertura de modelos de câmera continuam sendo obstáculos. O projeto estima uma proximidade maior para quem usa JPEG/DNG em um computador do que para quem depende de todos os módulos do Lightroom Classic. A sincronização em nuvem do Lightroom não é reproduzida. Documentação.

PdfCraft: também apareceu nas primeiras notícias como PrintCraft. As tarefas de leitura, anotações, formulários e organização de páginas estão mais cobertas que a edição sofisticada de conteúdo existente, OCR e validação avançada de assinaturas. O cálculo de 806 recursos exclui 23 funções exclusivas da nuvem Adobe, inclusive serviços que não têm equivalente local. Documentação.

EffectCraft: camadas, animação por quadros-chave, expressões e centenas de efeitos. A barreira para migrar trabalho existente é concreta: ele não abre projetos .aep/.aepx nem executa os plugins do After Effects. O próprio projeto afirma que ainda não substitui o original em trabalhos para clientes. Documentação.

DesignCraft: páginas, estilos, texto encadeado, tabelas e exportação, incluindo intercâmbio por IDML. A leitura direta de páginas de arquivos INDD permanece uma limitação. Os percentuais elevados do catálogo ainda exigem confirmação em documentos e fluxos de produção; os relatos abaixo mostram que funções essenciais de diagramação podem falhar. Documentação.

Quais ficaram fora

A expressão “toda a Adobe” exagera o alcance do lançamento. A coleção anunciada contém sete aplicativos. Estes outros produtos e famílias do catálogo da Adobe não têm um equivalente separado nessa coleção:

Produto ou famíliaUsoSituação na coleção
AuditionEdição e produção de áudio.Sem equivalente separado.
Animate e Character AnimatorAnimação 2D e animação de personagens.Sem equivalentes separados.
BridgeOrganização de arquivos e ativos criativos.Sem equivalente separado.
Media EncoderConversão e processamento de mídia em lotes.Sem equivalente separado; exportar vídeos no FilmCraft não reproduz o produto inteiro.
DreamweaverCriação e edição de sites.Sem equivalente separado.
FrescoDesenho e pintura digital.Sem equivalente separado.
Adobe ExpressCriação rápida de peças, vídeos e conteúdo social.Sem equivalente separado.
FireflyGeração de conteúdo com IA.Sem reprodução equivalente dos modelos e serviços da Adobe.
Substance 3DModelagem, materiais, texturas e composição 3D.Família fora dos sete aplicativos.
Lightroom Classic completoFluxos fotográficos com módulos e recursos especializados.Cobertura parcial dentro do LightCraft; não há um oitavo clone completo.

Essa lista identifica o alcance deste lançamento. Ela não pretende provar que nenhum outro desenvolvedor criou protótipos com IA para esses produtos.

Código aberto, linguagem e tamanho

Os sete aplicativos têm Rust como linguagem principal e código disponível no GitHub sob as licenças MIT/Apache-2.0. São gratuitos e têm versões nativas para Windows, macOS e Linux. O código aberto permite estudar, modificar e redistribuir o software respeitando as licenças; marcas e determinados materiais de terceiros têm regras próprias. Catálogo oficial.

A tabela mostra o tamanho do download do instalador MSI para Windows x64, em MB decimais (1 MB = 1 milhão de bytes), nas versões disponibilizadas em 8 de outubro. Esses valores foram conferidos nos metadados dos arquivos oficiais de cada lançamento.

AplicativoVersão consultadaInstalador Windows x64
PhotoCraft0.5.055,8 MB
VectorCraft0.7.061,5 MB
FilmCraft0.4.052,3 MB
LightCraft0.4.051,9 MB
PdfCraft0.4.044,3 MB
EffectCraft0.6.047,3 MB
DesignCraft0.4.054,5 MB

Download pequeno não significa pouco consumo de memória. O espaço depois da instalação, os modelos opcionais, os arquivos abertos, os caches e a memória de trabalho são medidas diferentes. Rust e aceleração pela placa de vídeo podem ajudar o desempenho, mas a implementação e o tamanho do projeto aberto continuam decisivos.

O que disseram as pessoas que realmente testaram

Uma demonstração pública detalhada é o vídeo do canal FUTC, publicado em 7 de outubro. Ele testou três aplicativos e mostrou os resultados na tela. O autor se apresenta como desenvolvedor de aplicativos para fotógrafos; o vídeo também promove produtos próprios. São primeiras impressões, não um ensaio prolongado de produção.

Teste do FUTCO que funcionouLimitações observadas
PhotoCraft 0.3.0, a partir de 3:58Abriu PSD com camadas; movimentação, máscaras, curvas e pincéis funcionaram. O avaliador ficou positivamente surpreso.Houve dificuldade com texto/fonte; a prévia reduzia a resolução durante ajustes.
LightCraft 0.2.1, a partir de 8:21Editou DNG, exportou em resolução completa e importou presets do Lightroom. Instalação e respostas pareceram rápidas.Um RAW Panasonic abriu só a prévia JPEG. Máscara de céu, grão e interface tinham problemas.
FilmCraft, a partir de 15:03Abriu vídeos exigentes, reproduziu áudio, gerou proxies e permitiu animação de propriedades.Engasgos e dificuldades de interface; foi considerado o mais fraco dos três. O avaliador preferiu o Resolve como alternativa gratuita.

A conclusão dele foi favorável ao potencial, especialmente dos dois editores de imagem. Isso não demonstrou equivalência integral aos originais nem avaliou os outros quatro programas.

No Hacker News, os relatos foram contraditórios: ShinTakuya afirmou ter testado uma experiência muito ruim; skeaker considerou uma versão posterior funcional no que experimentou, com limitação nos painéis; user43928 compilou e executou o PhotoCraft no Mac e o achou majoritariamente funcional. A variação entre versões e computadores aparece nesses depoimentos, que não formam uma amostra representativa.

Na discussão de lançamento no Reddit, Final_Ad_7431 relatou problemas graves no recorte do LightCraft. Morganorix63 testou o FilmCraft em um MacBook Pro de 2015 com 16 GB e considerou a experiência menos estável e utilizável que a Adobe em seu equipamento. RevoAgent não conseguiu iniciar o PhotoCraft no Windows 11. Outros comentários expressam entusiasmo, mas alguns dizem explicitamente que ainda não instalaram os aplicativos.

Há também relatos concretos para os outros quatro programas, registrados pelos próprios usuários nos repositórios:

Aplicativo e usuárioExperiência relatada
VectorCraft — AngeloVenneman, chamado #546Ao exportar uma prancheta de um documento com 80 pranchetas para DXF, recebeu apenas o contorno da arte.
EffectCraft — Mystical-17, chamado #320Na versão 0.6.0 para Linux, os espaços de trabalho salvos desapareciam ao reiniciar o aplicativo.
DesignCraft — jseijas2005-cpu, chamado #165Na versão 0.4.0 para Linux, o encadeamento de caixas de texto criava páginas extras que o usuário não conseguia excluir.
PdfCraft — ChippedW, chamado #307Na versão 0.4.0 para Windows, abrir um PDF de 186 MB e 9.445 páginas levou o consumo a aproximadamente 16 GB de RAM.

São relatos individuais, com versões e condições específicas. Um registro de bugs concentra problemas por natureza e não informa a porcentagem de usuários afetados. Ainda assim, mostra por que a lista de recursos disponíveis não basta para avaliar se um programa está pronto para substituir outro.

São fáceis, rápidos, leves e poderosos?

Facilidade: os projetos procuram reproduzir menus, painéis e atalhos familiares a usuários da Adobe, o que pode reduzir a aprendizagem. Os testes também encontraram comportamentos inesperados. A semelhança visual ajuda quem conhece o original; não torna automaticamente um editor profissional simples para iniciantes.

Velocidade: as primeiras demonstrações mostram respostas rápidas em edição de fotos, enquanto vídeo e determinadas operações pesadas apresentam engasgos. Há aceleração por GPU e processamento paralelo, mas falta uma comparação independente abrangente com a Adobe em máquinas e arquivos equivalentes.

Leveza: os instaladores são relativamente compactos. No caso do PDF de 9.445 páginas, o mesmo usuário relatou menos de 800 MB de memória no Sumatra PDF e consumo parecido no Acrobat Reader, diante de cerca de 16 GB no PdfCraft. O exemplo envolve um documento muito grande, mas comprova que um download de 44 MB pode exigir bastante RAM ao trabalhar.

Poder: os aplicativos oferecem recursos substanciais e já executam tarefas úteis. As limitações mais importantes surgem na fidelidade dos resultados, na variedade de arquivos, nos plugins e na continuidade de fluxos profissionais. Uma pessoa pode precisar de dez funções que já funcionam bem; outra pode depender de uma única função ainda ausente.

Podem substituir a Adobe? E vão se tornar populares?

Para uso pessoal e tarefas delimitadas, alguns já merecem ser experimentados: uma montagem simples no PhotoCraft, ajustes de fotos compatíveis no LightCraft ou operações básicas com PDF podem atender necessidades reais. Os relatos disponíveis sustentam essa possibilidade, sem estabelecer uma substituição universal.

Para trocar um fluxo profissional inteiro, a evidência ainda é insuficiente. Abrir o arquivo correto, preservar a aparência, exportar no formato exigido e trabalhar com estabilidade são requisitos que pesam mais que uma lista extensa de ferramentas. A dificuldade de levar projetos do After Effects para o EffectCraft ilustra esse obstáculo.

O projeto é promissor porque combina custo zero, código aberto, interfaces familiares, versões para Linux e canais de automação por agentes. As sucessivas versões e as contribuições públicas mostram atividade. A adoção dependerá de transformar essa atividade em qualidade consistente e manutenção duradoura.

A hipótese mais plausível, a partir dessas primeiras evidências, é uma adoção gradual por pessoas cujas necessidades já estejam cobertas, seguida de expansão se as falhas forem corrigidas. É uma projeção, não um resultado observado. Não há dados públicos suficientes de usuários ativos, retenção ou produção profissional para concluir que esses aplicativos serão usados por todo mundo.

A mudança demonstrada até aqui é a redução do esforço para criar alternativas ambiciosas. A qualidade sustentada dessas alternativas continua sendo o teste decisivo. O lançamento aumenta as possibilidades de escolha; a permanência dos usuários dependerá da experiência depois do entusiasmo inicial.

Fontes e como esta avaliação foi feita

Foram comparados o catálogo oficial, os repositórios e avaliações de progresso dos sete projetos, os metadados dos instaladores na API do GitHub, a transcrição disponível da demonstração do FUTC, depoimentos do Hacker News e Reddit e os chamados individuais vinculados acima. Os percentuais são autodeclarados; os testes práticos são dos autores identificados, não testes realizados por este blog. As conclusões sobre adoção são inferências a partir desse material.

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